segunda-feira, 16 de maio de 2011

História e Filosofia - Texto: Filosofia da Educação ( Maria Lúcia de Arruda Aranha)



Texto 1 : Filosofia da Educação 
Maria Lúcia de Arruda Aranha


O que é filosofia
        A origem da filosofia
                     A filosofia surgiu na Grécia, por volta do século VI a.C. Pretendia superar as interpretações míticas, rejeitando o sobrenatural e a interferência dos agentes divinos na explicação dos fenômenos da natureza. Trata-se na natureza dessacralizada, ou seja, deixa de ser sagrada a procura pela racionalidade do universo.
                   A filosofia surge então como um pensamento positivo e abstrato, que busca a coerência interna, a definição rigorosa dos conceitos, o debate e a discussão. Enquanto o mundo mítico é formado por certezas dogmáticas, a consciencia filosófica introduz a perplexidade. Para Platão, a primeira virtude do filósofo é ser capaz de admirar-se: a admiração é a condição de onde deriva a capacidade de problematizar.
       Filosofia e ciência
                      O filósofo grego é de certa forma um "cientista", pois reflete sobre todos os setores da indagação humana. Após a revolução científica do século XVII dá-se a ruptura dessas duas formas de abordagem do real. Lentamente vão se construindo os métodos das chamadas ciências particulares - física, astronomia, química, biologia, psicologia, sociologia, etc... - delimitando um campo específico de pesquisa. Ocorre então a fragmentação do saber e cada ciência passa a ocupar-se de um objeto específico. A primeira questão é imaginar o que resta à filosofia se ela, ao longo do tempo, foi "esvaziada" do seu conteúdo pelo aparecimento das ciências particulares, tornadas independentes. E, no século XX, até as questões referentes ao homem são apropriadas pelas ciências humanas.
                    Na verdade a filosofia continua tratando dessa mesma realidade abordada pelas ciências, mas não deixa de analisar a totalidade. A visão da filosofia é de conjunto, ou seja, o problema tratado nunca é examinado de modo parcial, mas sempre sobre a perspectiva de conjunto, relacionando cada aspecto com o contexto em que está inserido. Portanto, a filosofia torna-se a unica capaz de fazer uma reflexão crítica e global sobre o saber e a prática do homem.
                     As afirmações da ciência são chamados de juízos de realidade, já que de uma forma ou de outra pretendem mostrar como os fenômenos ocorrem, quais as suas relações e, conseqüentemente, como prevê-los. Ja a filosofia faz  juízo de valor: não vê a realidade apenas como é, mas como deveria ser.Julga o valor do conhecimento e da ação, busca o significado deles, e com isso dá sentido a experiência vivida.
       O Processo do filosofar
                     Reflexão: refletir é retomar o próprio pensamento, pensar o o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. A reflexão é propriamente filosófica quando é  radical, rigorosa e de conjunto.
                            Radical: É preciso que se vá até as raízes da questão, até seus fundamentos. Em outras palavras, exige-se que se opere uma reflexão em profundidade.
                            Rigorosa: Para garantir a primeira exigência, deve-se proceder com rigor, ou seja, criticamente, segundo métodos determinados, colocando-se em questão as conclusões da sabedoria popular e as generalizações que a ciência pode ensejar.
                            De conjunto: o problema não pode ser examinado de modo parcial, e sim numa perspectiva de conjunto, relacionando-se o aspecto em questão com os demais aspectos do contexto em que está inserido. É neste ponto que a filosofia se distingue da ciência de um modo mais marcante.
        A importância da filosofia.
                     Vivemos em um mundo pragmático, isto é, voltado para as coisas práticas da vida, interessado na aplicação imediata dos conhecimentos. Nesse sentido, a filosofia não encontra adeptos e, ao contrário,  é freqüentemente repudiada com sendo uma teoria inútil. Porém, é a filosofia que reúne o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na sua unidade. A filosofia impede a estagnação e sempre se confronta com o poder, não devendo a sua investigação estar alheia à ética e à política. Neste sentido, acaba por desvelar a ideologia, ou seja, as formas pelas quais é mantida a dominação, demonstrar a verdade. Atentando a etimologia do vacábulo grego, correspondente à "verdade", vemos que a verdade põe a nu aquilo que estava escondido; aí reside a vocação do filósofo: desvelamento do que estáa encoberto pelo costume, pelo convencional, pelo poder. Descobrir a verdade é ter coragem de enfrentar as formas estagnadas do poder que tentam manter o status quo, é aceitar o desafio de mudança.

A filosofia da educação
         Todos os povos tem uma educação, pela qual transmitem a cultura, seja de maneira informal ou por meio de instituições. De qualquer forma, não é sempre que o homem reflete especificamente sobre o ato de educar.Muitas vezes a educação é dada de maneira espontânea, a partir do senso comum, repetindo costumes que são transmitidos de geração em geração. Ora, se a filosofia é uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto, que se faz a partir dos problemas propostos pelo nosso existir, invetável que entre esses problemas estejam os referentes à educação. Portanto, caberá aos filósofos acompanhar reflexiva e criticamente a ação pedagógica, de modo a promover a passagem " de uma educação assistemática para uma educação sistematizada".
          Ao ter presente o questionamento do que seja educação, a filosofia não permite que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento ou qualquer outro tipo de pseudo-educação. Por isso a filosofia da educação é importante para denunciar as formas de ideologias que utilizam a educação como instrumento de dominação. Talvez o leitor esteja se perguntando se a filosofia não correria o risco de servir a interesses ideológicos de uma determinada classe, quando esta que se manter no poder. É evidente que este risco existe, mas é bom lembrar que a própria filosofia deve se colocar como objeto de reflexão. Quando ela se torna dogmática e se coloca a serviço do poder, torna-se de fato uma pseudo-filosofia..
   
         

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